A Crise Normativa do Português em Angola: Suas Consequências no Ensino-Aprendizagem da Regência Verbal no Liceu nº 292 – 4ª Divisão, do Cuito
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A presente pesquisa parte da constatação da existência de um ensino da Língua
Portuguesa desfasado do contexto sociocultural do aluno. Com o objectivo principal
de compreender as dificuldades de ensino em contexto de desfasamento normativo,
procurou explorar o aspecto da anunciada crise normativa no campo da regência
verbal, através de uma abordagem virada para a variação e mudança linguística. A
pesquisa baseou-se no desenho metodológico quase-experimental, por causa da sua
amostragem não-aleatória. Deste ponto de vista, constituíram-se dois grupos de
estudo, nomeadamente: i) o grupo experimental composto por alunos da 10ª classe;
ii) e o grupo de controlo, pelos alunos da 12.ª classe. Para a verificação do equilíbrio
dos dois grupos, trabalhou-se com um terceiro grupo: o de professores. Em termos de
instrumentos, aplicou-se o teste assente em juízo de gramaticalidade, que permitiu
aferir a competência linguística dos informantes. As frases-modelo que constituíram o
teste foram retiradas do Jornal de Angola, a secção de entrevistas. Relativamente ao
tratamento de dados, foram aplicados os métodos de análise de conteúdo, na
dimensão quanti-qualitativa. Os resultados finais revelam haver uma deriva regencial
na variante local do Português em relação ao PE, fundamentado numa tendência de
maior apagamento e alternância de preposições, embora se depreendesse
igualmente uma consciência semântica das preposições baixa aos informantes.
Portanto, confirma-se a tese anunciada da existência da crise de normas,
considerando que o Português que se defende ensinar demarca-se daquele que se
realiza.